The wait is over! McCartney, thanks for making my dream come true. ♥
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Um sonho, uma realidade.
Depois de várias especulações de que o grande (e mais foda) músico Paul McCartney viria ao Brasil, a espera de mais de milhões de fãs acaba. Dias 7, 21 e 22 de novembro, para muitos, os dias mais importantes de suas vidas, e eu marcando minha presença. :D
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Boa tarde, cara pálida.
Confesso que tem dias que não venho aqui para escrever algo decente e relativamente ''legível''. Agora são 14:05, acabo de terminar de conversar com meu namorado por telefone e ao meu lado só encontro livros e mais livros para pegar e estudar, passar a tarde toda estudando - meu objetivo (não que eu vá mesmo correr atrás disso ou coisa parecida). Ultimamente não vem acontecendo nada de novo em minha vida ou em volta de mim, o que mais me chamou atenção hoje (até agora), foi quando, indo para o colégio, encontrei com uma das pessoas que mais admiro por aqui. Um velho de mais ou menos uns 70 anos, com aparência de 99, andando pela rua, bem devagar, saindo de uma padaria às 6:50 pela rua deserta vindo em minha direção com um sorriso bem aberto. E o sorriso era para mim! Pelo que sei dessa mera pessoa é que não é ninguém importante, o mesmo mora sozinho à muitos anos no bairro e que sempre encontro com ele pela rua, só que nunca com nenhum acompanhante, sempre andando bem devagarinho. Ele é baixo, sem cabelos, arrumadinho e sempre, sempre sorridente. Adoro ter que encontrar com ele na rua apenas para olhá-lo e dizer um simples ''bom dia'' logo ao receber aquele sorriso cativante. Você não sabe o quanto é bom sentir uma pessoa que você nem conhece ser assim com você sempre ao te ver, não só com você, mas com várias outras pela rua. Por que que o admiro tanto? Não sei dizer, só sei que aquele idoso, além de muito educado, tem um dos sorrisos mais lindos que já vi! Não daqueles com dentes brancos, limpos, lindos, lábios carnudos, nada disso!, só me impressiona o seu simples modo de viver e de sempre estar daquele jeito, aquele semblante de que já passou por muitas e boas na vida, porém nunca deixando tais problemas prevalecerem em seu cartão de visita. Pode ser besteira para você, para aquele ao seu lado, para o outro, mas não me importa. Isso mexe comigo e faz dele um exemplo para mim, um exemplo que deveria ser para todos, por todos.
domingo, 29 de agosto de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
As coisas.
A bengala, as moedas, o chaveiro,
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro.
Um livro e em suas páginas a seca
Violeta, monumento de uma tarde
Sem dúvida inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas, taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão para além de nosso esquecimento;
Nunca saberão que nos fomos num momento.
Jorge Luis Borges.
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro.
Um livro e em suas páginas a seca
Violeta, monumento de uma tarde
Sem dúvida inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas, taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão para além de nosso esquecimento;
Nunca saberão que nos fomos num momento.
Jorge Luis Borges.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Dom Casmurro - Machado de Assis.
Do Título.
Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos.
A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.
- Continue, disse eu acordando.
- Já acabei, murmurou ele. - São muito bonitos.
Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou.
Nem por isso me zanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bilhetes: "Dom Casmurro, domingo vou jantar com você." - "Vou para Petrópolis, Dom Casmurro; a casa é a mesma da Renania; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo." - "Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça." Não consultes dicionários.
Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando!
Também não achei melhor título para a minha narração - se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.
Obs.: Não pretendo postar todos os capítulos do livro aqui, até porque não haveria paciência para isso, tanto da amadora, quando do leitor, apenas coloquei este por ser, para mim, um dos melhores ''primeiros capítulos'' já escritos na história da nossa literatura brasileira. Machado de Assis é de praxe.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Os Noivos - Nelson Rodrigues. [3]
Misericórdia.
Foi uma conversa que se alongou por toda uma noite. No seu desespero inicial, ele berrava: "Cínica! Cínica!". E soluçava: "Nunca teve um beijo meu, que sou seu noivo, e vai ter o filho do outro!". O pai, porém, conseguiu, após poucos, aplacá-lo. Sustentou a tese de que todos nós, afinal de contas, somos falíveis e, particularmente, as mulheres: "Elas são de vidro", afirmava. Alta madrugada, o pobre-diabo pergunta: "E eu? Devo fazer o quê?". Justiça se lhe faça - o velho foi magnífico: "Perdoar. Perdoa, meu filho, perdoa!". Quis protestar: "Ela merece um tiro!". Mais que depressa, seu Notário atalha:
— Ela, não, nunca! Ele, sim! Ele merece!
— Quem?
Baixa a voz: "O pai da criança! Esse filho não caiu do céu, de pára-quedas! Há um culpado". Pausa. Os dois se entreolham. Seu Notário segura o filho pelos dois braços:
— Antes de ti, Edila teve um namorado. Deve ter sido ele. Se fosse comigo, eu matava o cara que...
Ergue-se, transfigurado, quase eufórico: "Tem razão, meu pai! O senhor sempre tem razão!".
O Inocente.
Pôde, assim; desviar da noiva o seu ódio De manhã, passou pela casa de Edila. Com apavorante serenidade, em voz baixa, pediu o nome do culpado. Diante dele, a garota torcia e destorcia as mãos: "Não digo! Tudo, menos isso!". Ele sugeria, desesperado: "Foi o Pimenta?". O Pimenta era o antigo namorado de Edila. Ela dizia: "Não sei, não sei!". Salviano saiu dali certo. Procurou o outro, que conhecia de nome e de vista. Antes que o Pimenta pudesse esboçar um gesto, matou-o, com três tiros, à queima-roupa. E fez mais. Vendo um homem, um semelhante, agonizar aos seus pés, com um olhar de espanto intolerável, ele virou a arma contra si mesmo e estourou os miolos. Mais tarde, desembaraçado o corpo, foi instalada a câmara-ardente na casa paterna. Alta madrugada, havia, na sala, três ou quatro pessoas, além da noiva e de seu Notário. Em dado momento, o velho bate no ombro de Edila e a chama para o corredor. E, lá, ele, sem uma palavra, aperta entre as mãos o rosto da pequena e a beija na boca, com loucura, gana. Quando se desprendem, seu Notário, respirando forte, baixa a voz:
— Foi melhor assim. Ninguém desconfia. Ótimo.
Voltaram para a sala e continuaram o velório.
(...) Fim.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Os Noivos - Nelson Rodrigues. [2]
O Idílio.
Foi um namoro tranqüilo, macio, sem impaciências, arrebatamentos. Sob a inspiração paterna, ele planificou o romance, de alto a baixo, sem descurar de nenhum detalhe. Antes de mais nada, houve o seguinte acordo:
— Eu não toco em ti até o dia do casamento.
Edila pergunta:
— E nem me beija?
Enfiou as duas mãos nos bolsos:
— Nem te beijo. OK?
Encarou-o, serena:
— OK.
Dir-se-ia que este assentimento o surpreendeu. Insinua:
— Ou será que você vai sentir falta?
— De quê?
E Salviano, lambendo os beiços:
— Digo falta de beijos e, enfim, de carinho.
Sorriu, segura de si:
— Não. Estou cem por cento com teu pai. Acho que teu pai está com a razão.
Salviano não sabe o que dizer. Edila continua, com o seu jeito tranqüilo:
— Sabe que essas coisas não me interessam muito? Eu acho que não sou como as outras. Sou diferente. Vejo minhas amigas dizerem que beijo é isso, aquilo e aquilo outro. Fico boba! E te digo mais: eu tenho, até, uma certa repugnância. Olha como eu estou arrepiada, olha, só de falar nesse assunto!
O Velho.
Desde menino, Salviano se habituara a prestar contas quase diárias ao pai, de suas idéias, sentimentos e atos. O velho, que se chamava Notário, ouvia e dava os conselhos que cada caso comportava. Durante todo o namoro com Edila, seu Notário esteve, sempre, a par das reações do filho e da futura nora. Salviano, ao terminar as confidências, queria saber: "Que tal, papai?". Seu Notário apanhava um cigarro, acendia-o e dava seu parecer, com uma clarividência que intimidava o rapaz:
— Já vi que essa menina tem o temperamento de uma esposa cem por cento. A esposa deve ser, mal comparando, e sob certos aspectos, um paralelepípedo. Essas mulheres que dão muita importância à matéria não devem casar. A esposa, quanto mais fria, mais acomodada, melhor!
Salviano retransmitia, tanto quanto possível, para a namorada, as reflexões paternas. Edila suspirava: "Teu pai é uma simpatia!". De vez em quando, o rapaz queria esquecer as lições que recebia em casa. Com uma salivação intensa, o olhar rutilante, tentava enlaçar a pequena. Edila, porém, era irredutível; imobilizava-o:
— Quieto!
Ele recuava:
— Tens razão!
Catástrofe.
Um dia, porém, o dr. Borborema, que era médico de Edila e família, vai procurar Salviano no emprego. Conversam no corredor. O velhinho foi sumário: "Sua noiva acaba de sair do meu consultório. Para encurtar conversa: ela vai ser mãe!". Salviano recua, sem entender:
— Mãe?!...
E o outro, balançando a cabeça: "Por que é que vocês não esperaram, carambolas? Custava esperar?". Salviano travou-lhe o braço, rilhava os dentes: "De quantos meses?". Resposta: "Três". Dr. Borborema já se despedia: "O negócio, agora, já sabe: é apressar o casamento. Casar antes que dê na vista". Petrificado, deixou o médico ir. No corredor do emprego, apertava a cabeça entre as mãos: "Não é possível! Não pode ser!". Meia hora depois, desembarcava e invadia, alucinado, a casa do pai. Arremessou-se nos braços de seu Notário, aos soluços.
— Edila está nessas e nessas condições, meu pai! — E, num soluço mais,fundo, completa: — E não fui eu! Juro que não fui eu!
(...) Continua...
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