quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O que é que tem sentido nesta vida.

O que é que tem sentido nesta vida
Não vai ser casa e comida
Cama fofa, cobertor
Não vai ser ficar mirando os astros
Ou então andar de rastros
Pelas sendas do senhor

Para muitos é o dinheiro
Ir de janeiro a janeiro
De pé no acelerador
Eu sinceramente, preferia
Uma vida de poesia
Na vigília de um amor

Há quem creia em ter status
Sair em fotos & fatos
Ter ações ao portador
Eu só acredito em liberdade
E estar sempre com saudade
De viver um grande amor.

Vinicius.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O amor por entre o verde.

Não é sem frequência que, à tarde, chegando à janela, eu vejo um casalzinho de brotos que vem namorar sobre a pequenina ponte de balaustrada branca que há no parque. Ela é uma menina de uns treze anos, o corpo elástico metido num blue jeans e um suéter folgadão, os cabelos puxados para trás num rabinho-de-cavalo que está sempre a balançar para todos os lados; ele, um garoto de, no máximo, dezesseis, esguio, com pastas de cabelo a lhe tombar sobre a testa e um ar de quem descobriu a fórmula da vida.

Uma coisa eu lhes asseguro: eles são lindos e ficam montados um em frente ao outro, no corrimão da colunata, os joelhos a se tocarem, os rostos a se buscarem a todo momento para pequenos segredos, pequenos carinhos, pequenos beijos. São, na sua extrema juventude, a coisa mais antiga que há no parque, incluindo velhas árvores que por ali espapaçam sua verde sombra; e as momices e brincadeiras que se fazem daria para escrever todo um tratado sobre a arqueologia do amor, pois têm uma tal ancestralidade que nunca se há de saber a quantos milênios remontam.

Eu os observo por um minuto apenas para não perturbar-lhes os jogos de mão e misteriosos brinquedos mímicos com que se entretêm, pois suspeito de que sabem de tudo o que se passa à sua volta. Às vezes, para descansar da posição, encaixam-se os pescoços e repousam os rostos um sobre o ombro do outro, como dois cavalinhos carinhosos, e eu vejo então os olhos da menina percorrerem vagarosamente as coisas em torno, numa aceitação dos homens, das coisas e da natureza, enquanto os do rapaz mantêm-se fixos, como a prescrutar desígnios. Depois voltam à posição inicial e se olham nos olhos, e ela afasta com a mão os cabelos de sobre a fronte do namorado, para vê-lo melhor e sente-se que eles se amam e dão suspiros de cortar o coração. De repente o menino parte para uma brutalidade qualquer, torce-lhe o pulso até ela dizer-lhe o que ele quer ouvir, e ela agarra-o pelos cabelos, e termina tudo, quando não há passantes, num longo e meticuloso beijo.

- Que será – pergunto-me eu em vão – dessas duas crianças que tão cedo começam a praticar os ritos do amor? Prosseguirão se amando, ou de súbito, na sua jovem incontinência, procurarão o contato de outras bocas, de outras mãos, de outros ombros? Quem sabe se amanhã quando eu chegar à janela, não verei um rapazinho moreno em lugar do louro ou uma menina com a cabeleira solta em lugar dessa com cabelos presos?

– E se prosseguirem se amando – pergunto-me novamente em vão – será que um dia se casarão e serão felizes? Quando, satisfeita a sua jovem sexualidade, se olharem nos olhos, será que correrão um para o outro e se darão um grande abraço de ternura? Ou será que se desviarão o olhar, para pensar cada um consigo mesmo que ele não era exatamente aquilo que ela pensava e ela era menos bonita ou inteligente do que ele a tinha imaginado?

É um tal milagre encontrar, nesse infinito labirinto de desenganos amorosos, o ser verdadeiramente amado… Esqueço o casalzinho no parque para perder-me por um momento na observação triste, mas fria, desse estranho baile de desencontros, em que frequentemente aquela que deveria ser daquele acaba por bailar com outro porque o esperado nunca chega; e este, no entanto, passou por ela sem que ela o soubesse, suas mãos sem querer se tocaram, eles olharam-se nos olhos por um instante e não se reconheceram.

E é então que esqueço tudo e vou olhar nos olhos de minha bem-amada como se nunca a tivesse visto antes. É ela, Deus do céu, é ela! Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em lágrimas de ternura; e sei que mataria friamente quem quer que lhe causasse dano; e gostaríamos que morrêssemos juntos e fôssemos enterrados de mãos dadas, e nossos olhos indecomponíveis ficassem para sempre abertos, mirando muito além das estrelas.


Vinicius.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Não te quero senão porque te quero.

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

Pablo Neruda.

domingo, 29 de novembro de 2009

Aquele peso em mim - meu coração.

Fernando Pessoa, 1932.

Caroles, ma petite. ♥
Já pensei tanto em como começar esse post. Sei que não preciso de dizer muita coisa para mostrar o que estou sentindo, então... vou levar tudo muito de supetão.
Hoje marca mais um ano da morte do George Harrison e eu sinto muito, muito a falta dele. No fundo, faria o possível para ter um show dele ano que vem, e não do Paul. :x
Ok.

Te amo, meu George.

domingo, 22 de novembro de 2009

[...] *

Waking up and the sunshines across your eyes.
Another perfect night to me, your so fine!
And I can’t believe that you are mine (your really mine).

I feel its ment to be.
Oh, come away with me.

We’ll get a boat to our island
Jump inside a castle that lives there
Have a party just the two of us.
Jump around and dance to our favourite songs
Have a bud under the stars
Then I’ll move in for a kiss... like this!

Footprints on the beach they fade away
Unlike my memorys theyre here to stay
Can i tell you that your beautiful and the only girl for me.
My heartbeat’s rapid and im so attracted to the stars you keep in your eyes
Yeah, it daze’s me you drive me crazy, i fell for you.

We were ment to be, so have a bud with me.

* Vide tradução.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Autorize que eu feche meu olhos e possa entrever os teus.
Deixe que as árvores e os ventos soem ao nosso favor.
Permita abrir meus braços e escapar risos meus.

Sob estrelas iluminadas pelo nosso fulgor.
Sob um céu sem fim.
Para um amor sem fim.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Reflita.

Reporter: Ringo, why do you wear two rings on each hand?
Ringo: Cause I can't fit them through my nose.

Ok.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Num instante.

Era a pior situação vivida até ali.
O medo predominava todo o local, ambas as mentes.
Foi difícil colocar um sorriso no rosto, impossível.
Desejos, sonhos, dúvidas, medos, escolhas e perdas.
Perdas.
Perda.


domingo, 8 de novembro de 2009

Além do Amor.

Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer, canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for.

Deixe-me chorar assim
Porque eu te amo
Dói a vida
Tanto em mim
Porque eu te amo
Beija até o fim
As minhas lágrimas de dor
Porque eu te amo, além do amor!


Vinicius de Moraes.