quarta-feira, 20 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Às vezes penso se o problema é comigo mesmo. Depois do fim de um relacionamento a fim de cessar os problemas, os mesmos duplicam. Já tentei conversar, resolver, acalmar, mas no fim é sempre a mesma coisa. Dói chegar perto, dói se afastar. O que fazer? Neste caso, não existe o meio termo, apenas os longos e dolorosos extremos. Talvez, o pior disso tudo, seria a proporção que cada extremo me é levado junto a seu âmbito.
Perdão. Essa palavra já não me convence mais.
Amor. Essa também não.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
(Sem título)
Tarde demais ou não, ele veio.
Espaço vital.
Em suas palavras, espaços preenchidos.
Em seus versos, métricas medidas.
Estrofes maiores, menores.
Simbolismos, arcadismos.
Naturalismos, romantismos.
Era o fim contemporâneo, mas ele chegou.
Lembrança, desejo. Máquina do tempo.
quarta-feira, 23 de março de 2011
O Amor Acaba.
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
Paulo Mendes Campos.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Thanks, Sir Paulie Macca.
Eu e meu pai acordamos na manhã do dia 22/11/2010 às 7:00 para estar no aeroporto às 9:00 e pegar o voo às 10:50. Chegando em Confins, o aeroporto estava completamente lotado de executivos, trabalhadores e, claro, lotado também de Beatlemaniacos, aparentemente. Me senti em casa e aí começou a cair em mim que eu iria ao encontro de um Beatle.
Entramos no avião, depois de 30 minutos de espera, chegamos em Congonhas e aí que meu coração disparava mesmo. Meu Deus, estava indo ver Paul McCartney! Certo. Fomos para o Ibis que se encontra logo em frente ao aeroporto e, ao pisar no hotel, um bando de pessoas vinham em nossa direção perguntando se queríamos alugar van para ir e voltar do show do Paul. Todos lindos com a camisa, faixa, rosto pintado, prontos para a maior experiência de cada um ali. Eu e meu pai não aceitamos, até porque a van iria sair de lá às 16:00 e os portões abririam às 17:30 e eu gostaria MUITO de chegar cedo por causa da fila. Ok, subimos correndo, arrumamos as coisas, trocamos de roupa, descemos para almoçar e pegamos o taxi para ir pro Morumbi. Coração a mil, claro, o motorista do taxi metendo o pau na galera que ia pro show, dizendo que é perda de dinheiro e de tempo, eu quase enforcando o cara e meu pai quase perdendo a cabeça também, porém chegamos ao nosso destino e ali estávamos, eu, meu pai e uma beatlemania que eu só assistia nos dvds, shows e documentários dos Beatles. Fomos correndo retirar os ingressos e o cara da bilheteria rindo de mim por já estar chorando. Ao pegar o ingresso com minhas próprias mãos, foi quase um desabafo mesmo, chorei, gritei, era a melhor sensação possível até então, (até então!). Fomos para a fila e encontramos/conhecemos um cara super gente boa que estava já junto à mim e meu pai, o Lucas. O foda é que ele se perdeu no meio do show e não tivemos notícias dele mais, mas isso depois eu conto. Eu, meu pai e o Lucas na fila, já com o coração na mão. Ficamos assim até umas 16:00, quando o céu desabou a chover em nossas cabeças. Tudo bem, tudo bem, estamos indo ver o Paul. A Mada, uma amiga minha que conheci pela internet, me encontrou lá e veio para a fila com a gente. Chovia muito, muito, muito e todos nós na fila com aquela capinha horrível de chuva, alguns morrendo de fome também. Ok, deu 17:30 e nada de portão abrir. 18:00, nada de entrar no Morumbi. 18:30, galera correndo desesperadamente para entrar. No meio disso tudo, conseguimos passar em torno de 200 pessoas na fila e chegamos, enfim, na roleta para entrar. UM PÔSTER GIGANTE DO PAUL LOGO DE ENTRADA e eu chorando ever junto com a Mada. Tiramos fotos, rimos, encontramos com uma galera legal e logo saimos correndo para a entrada do Morumbi. Ao me deparar com aquela coisa gigante que é o estádio e todas aquelas pessoas lindas, muitas ali por obrigação, outras por prazer e por realizar o maior sonho, como era o meu, me fez emocionar muito. Por fim ficamos no meio da pista, mais ou menos um pouquinho pra frente, eram em torno de 40 metros do palco. Esperamos ali dentro de 18:30 à 21:30 (tudo ótimo para nós que estavamos já dentro do estágio, nos lugares postos), quando começou a passar a abertura com vídeos lindos e coloridos, junto aos Twin Freaks que me emocionaram. Até então o Lucas, o garoto que estava conosco, tinha se perdido ao tentar ir ao banheiro. O Paul demorou para entrar no palco, mas e daí? ainda teremos três horas de show, três horas emocionantes, três horas que irão para nossa vida toda! Enfim, a espera tinha acabado e vimos que o sonho estava apenas começando. O palco todo azul e o Paul chegando ali com o Hofner levantado e todo mundo delirando. Magical Mystery Tour! Roooooll uuuuup! ♪ Ele, o Mestre nos convidando para uma viagem mágica e misteriosa. Poderia começar ainda melhor? Não mesmo. Gritamos, desmaiamos, choramos, foi a maior expeciência de todas as vidas ali presentes. Acho que só quem presenciou aquilo, apenas quem estava ali vivendo tudo aquilo, sabe bem a sensação e como é fazer parte da verdadeira beatlemanía, não é, Buzele? (:
Hoje agradeço muito ao meu beatlemaniaco preferido, meu pai, que me deu o melhor presente que já poderia ter pensado em me dar, e claro, ao Sir Paulie Macca. Tudo bem in the rain, certo? :D
"And in the end, the love you take is equal to the love you make." ♪
Obs.: Foto de minha autoria.
