sexta-feira, 22 de junho de 2012

Invité par surprise.

Vraiment, ce n'était pas prévu. On avait encore du travail à faire pour le lendemain. On était juste passé pour un renseignement, et puis voilà:

- Tu dînes avec nous? Mais alors simplement, à la fortune du pot!

Les quelques secondes où l'on sent que la proposition va venir sont délicieuses. C'est l'idée de prolonger un bon moment, bien sûr, mais celle aussi de bousculer le temps; la journée avait déjà été si prévisible; la soirée s'annonçait si sûre et programmée. Et puis voilà, en deux secondes, c'est un grand coup de jeune: on peut changer le cours des choses au débotté. Bien sûr on va se laisser faire.
Dans ces cas-là, rien de gourmé: on ne va pas vous cantonner dans un fauteuil côté salon pour apéritif en règle. Non, la conversation va se mitonner dans la cuisine - tiens, si tu veux m'aider à éplucher les pommes de terre! Un épluche-légumes à la main, on se dit des choses plus profondes et naturelles. On croque un radis en passant. Invité par surprise, on est presque de la famille, presque de la maison. Les déplacements ne sont plus limités. On accède aux recoins, aux placards. Tu la mets où, ta moutarde? il y a des parfums d'échalote et de persil qui semblent venir d'autrefois, d'une convivialité lointaine - peut-être celle des soirs où l'on faisait des devoirs sur la table de la cuisine?
Les paroles s'espacent. Plus besoin de tous ces mots qui coulent sans arrêt. Le meilleur, à présent, ce sont ces plages douces, entre les mots. Aucune gêne. On feuillette un bouquin au hasard de la bibliothèque. Une voix dit "Je crois que tout est prêt" et on refusera l'apéritif - bien vrai. Avant de dîner, on s'assoira pour bavarder autour de la table mise, les pieds sur le barreau un peu haut de la chaise paillée. Invité par surprise on se sent bien, tout libre, tout léger. Le chat noir de la maison lové sur les genoux, on se sent adopté. La vie ne bouge plus - elle s'est laissé inviter par surprise.



Philippe Delerm. - La Première Gorgée de Bière et autres plaisirs minuscules.


                                                            ***


Para tirar o atraso de mais de um ano sem escrever aqui, venho junto à uma certa ousadia de postar um texto em Francês, do escritor Philippe Delerm, cujo admiro bastante. Para aqueles que não dominam a língua francesa, em breve irei fazer a tradução (outra ousadia, rs) e postarei. É realmente uma bela prosa, muito bem escrita. Delerm é um escritor francês, nascido nos anos 50, na Auvers-sur-Oise (Val-d'Oise), norte da França.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Primeira Turnê. - Parte 2.

Personagens: George Harrison, Paul McCartney, Richard Starkey Jr. (Ringo), John Lennon e Brian Epstein, Cynthia Powell.
Local: NY/Manhattan.
Data: 7/8 de fevereiro de 1964.
Tema: Turnê da ''recente'' banda, The Beatles, pelos EUA.
Classificação: Livre.


Depois que George desligou o telefone, comunicou aos outros que Brian iria chegar as 21:30. Eles resolveram já se arrumar e esperar o empresário fazendo algo de útil (ou não).

Paul foi direto para o banho, George pegou seus instrumentos de barbear e foi se aprontar. Ringo foi escolher a roupa que usaria naquela noite. O beatle menor estava super empolgado. Por fim, todos se arrumaram.

- Estamos prontos, e agora, o que vamos fazer? - dizia Paul, olhando-o pelo espelho da sala.
- Estão escutando alguns gritos? Acho que vêm da varanda! - diz Ringo, sentado em uma cadeira, arqueando uma de suas sobrancelhas com o olhar fixo na janela.
George, muito curioso, abriu as cortinas, a janela e foi olhar. Lá embaixo, na frente da portaria do hotel, havia quatro garotas. Estas gritavam mais alto ao ver o beatle George aparecer na varanda do quinto andar.
- George! George! Não acredito, meu Deus! - gritava uma das garotas, sacudindo seus braços e suas mãos, deixando cair algumas lágrimas em seu rosto.
- Yes, it's meeeeeeee! - respondia George, dizendo num tom alto, acenando para as garotas com a mão direita, mantendo um enorme sorriso no rosto.
Curiosos, os outros dois foram até a varanda. Ao ver as poucas garotas (certamente bem apanhadas) lá embaixo, Paul e Ringo não deixaram os comentários de lado.
- Somos três garotos de sorte, não?! - dizia Paul acenando para elas, arqueando suas sobrancelhas e sorrindo com certo sarcasmo.
- Vocês dois eu não sei, mas já eu e o meu charme inconfundível... - respondia Ringo, apoiando seus braços na varanda, em seguida arrumando seus cabelos sem tirar os olhos das quatro garotas, ainda estéricas.
- Inconfundível mesmo, Ringo! Realmente não dá para negar. - ao terminar de dizer, George apertara o nariz do menor com certa força e logo saía correndo do local com medo da reação do mesmo. Rindo, sentou-se em um dos sofás, pegou um cigarro que encontrava no seu bolso e acendeu, tragando-o.

Paul, dentre os quatro beatles era o que mais gostava e aproveitava da beatlemanía. Ringo, o mais palhaço, sempre. George mantinha sua timidez em primeiro lugar, era o beatle mais calmo e perto de estranhos, o mais quieto. John, como era o mais velho, era dito como o mais responsável, mais sarcástico e rude em determinados momentos com o público.

Brian chegou no hotel mais cedo, as 20:45, junto com John e Cynthia. Como os três já estavam prontos, decidiram sair e aproveitar o tempo que restava.
Saíram do hotel, desceram e entraram no carro. Foram em direção a Manhattan. A noite estava perfeita. O céu estrelado, lua cheia, o clima frio (+/- 15 graus C). Na rua, um movimento parcialmente grande. Chegando em Manhattan, bairro nobre de Nova York, foram em direção ao Peppermint Lounge. Os Beatles já se identificaram com o local. O mesmo era bastante agradável, assim como todas as casas noturnas de Manhattan. O Jazz, o Blues e o Twist se expandiam e animavam as pessoas. Brian escolheu uma das mesas para seis pessoas e alí eles ficaram.

- Vão tomar alguma coisa? - perguntava o garçom, distribuindo o cardápio para os seis.
- Dose de whisky para todos, por favor. - respondeu Brain sem que os outros pudessem retrucar.
- Ótimo! Adorei este lugar! - dizia Ringo, olhando ao redor, batucando seus dedos sobre a mesa ao som da música.
- Mas claro... É Chubby Checker, oras. - sorria George se acomodando mais na cadeira, fitando os instrumentos sobre o palco.

Chubby Checker estava tocando no local. Algumas (muitas) garotas estavão dançando no palco junto aos instrumentistas. Ao ver Ringo se segurando para ir dançar, uma delas desceu e foi até a mesa, convidando o menor para se ''requebrar'' à companhia delas.

- Duvido que irá ficar aí, apenas batucando os dedos sobre a mesa, vendo todos nós se divertir alí no palco. Vamos logo dançar, hm? - dizia a garota, olhando fixamente para o Ringo, já pegando na mão dele e puxando seu braço de leve.
- Não sou bobo de recusar! - sorria Ringo para a menor, entrelaçando seus dedos aos dela, seguindo-a.

Naquele momento estava tocando ''Let's Twist Again'', um dos maiores sucessos de Chubby Checker no ano de 1961.
Ringo, já no palco dançando, empolgava cada vez mais com o som da música. As garotas já tinham coreografia pronta. Se rodeavam em torno do beatle menor com o intuito de ensiná-lo. Requebravam, rebolaram, deslizavam os pés sobre o chão com a maior leveza. O sorriso no rosto de cada uma daquelas pessoas dava para perceber nitidamente o quão estavam se divertindo.

John ficava apenas com Cynthia, dava uma grande atenção à esposa, já que no dia seguinte tinham presença marcada no programa do Ed. Sullivan e a sua lua de mel acabava por alí. Brian acabou encontrando com um grande amigo e ficou a conversar com ele. George e Paul se juntaram com outras garotas e ficaram alí conversando com elas.

Assim foi, a noite inteira. Era a primeira grande turnê dos Beatles, primeira vez dos quatro rapazes juntos nos Estados Unidos. Foi uma noite e tanta, e eles não sabiam que ficaria gravada pela grande história deles. Não só aquela noite, mas sim todas aquelas que, a partir, passariam juntos.


To be continued... [2]

Primeira Turnê. - Parte 1.

Personagens: George Harrison, Paul McCartney, Richard Starkey Jr. (Ringo), John Lennon e Brian Epstein.
Local: Hotel em NY.
Data: 7 de fevereiro de 1964.
Tema: Turnê da ''recente'' banda, The Beatles, pelos EUA.
Classificação: Livre.


Era um dia ensolarado em Nova York, fevereiro de 1962, quando os Beatles dividiam o quarto num hotel durante a primeira turnê nos EUA. George foi o primeiro a acordar. Ao ver os companheiros dormindo, se levantou, tomou um banho gelado e, ao terminar, pegou o violão ao lado da cama onde estava Ringo e começou a tocá-lo de maneira rápida, de modo que acordasse os outros. Ao ver a expressão de John Lennon ao ser acordado pelos seus solos propositáis, George não resiste e solta uma gargalhada alta.

- Ora, acordem! Já são 09:45. Como hoje não tem nenhum show marcado, temos todo o dia livre para aproveitar a cidade, as praias, as garotas... - diz George, sentado em uma poltrona, deixando o violão em seu colo.
- A cama também!!! - se irrita Ringo, logo escondendo seu rosto no travesseiro.
- Ok, ok, George. Você tem razão. Temos que aproveitar o café da manhã também, estou com fome! - diz Paul, logo se levantando e indo em direção ao banheiro.
- Droga! Tenho que encontrar com Cynthia no aeroporto, mas a preguiça está maior. - ao terminar de reclamar, Lennon se levanta e senta na cama, abrindo a cortina e admirando a vista que os quatro garotos tinham da cidade.
- Tsc, tsc. Mal se casou e já tem preguiça da esposa! - responde George, ainda sentado na poltrona, afinando a Rickenbacker.
- Longe de mim! A preguiça não é da Cynthia e sim de me locomover até aquele fim de mundo! - John se levantou da cama e pegou o telefone na mesa ao lado, fazendo o pedido do café da manhã.
- Também sinto fome, Paul! - grita Ringo, se levantando rápido. O mesmo pegava o cobertor na cama, se enrolava e saía correndo em direção ao banheiro.
- Estranho... - sorria George ao ver as ações do beatle menor, aquele o impressionava cada vez mais, e o fazia rir também.

Os três foram se arrumar. Ao terminar de tomar o café, Lennon foi de encontro a sua esposa. Paul, George e Ringo resolveram passar o dia no hotel, aproveitar o lazer que ofereciam-lhes, para mais tarde ir com Brian à uma casa noturna chamava Peppermint Lounge, em Manhattan. Depois do café da manhã, os três colocaram os trages de banho e desceram para a piscina do hotel. Como já era de se esperar, os hóspedes reconheceram-os e aproximaram pedindo autógrafos e poses para fotos. Como o hotel era de classe alta, não houve nenhum tumulto, apenas algumas pessoas indo em direção dos mesmos para autógrafos, o que os deixou bem calmos. A única expressão que o pequeno Ringo pôde colocar em seu rosto foi um grande sorriso ao ver que estava em plena mordomia, sem compromissos, talvez, sem cobranças e sem hora para acabar. Deitou-se em uma poltrona em frente à piscina, tirou o maço de Marlboro Red junto ao isqueiro do bolso da sua camisa e colocou um dos cigarros em sua boca, acendendo-o. Naquela tarde, o clima estava consideravelmente perfeito. O sol raiava com intensidade, a água da piscina e da cachoeira estava cristalina, as pessoas alegres, as crianças brincando. Na sala de jogos, o jazz predominava o local. Havia poucos rapazes jogando sinuca com copo de whisky na mão. Paul e George queriam aproveitar o dia inteiro na piscina e na cachoeira. Percebia-se nitidamente que os três se divertiam bastante, sem sentir falta do John, que passava o dia com sua recém-esposa Cynthia.

As 18:00, término da tarde, os garotos de liverpool resolveram subir para o apartamento depois de terem passado todo o dia inteiro na área de lazer. Ao subir, George abriu a porta e logo escutou o telefone tocar, era Brian.

- Alô?! - diz o beatle mais novo, colocando as chaves e as toalhas sobre a mesa, com o telefone já na mão.
- George! Aqui é Brian. Tentei ligar para vocês a tarde inteira, onde estavam? - responde o empresário deitado na cama de um hotel no mesmo bairro em Nova York.
- Estávamos lá embaixo. Aconteceu alguma coisa?
- Não aconteceu nada, quero apenas te lembrar que daqui a algumas poucas horas estou indo pr'a aí, vamos ao Peppermint mais tarde.
- Oh, é mesmo! Não me esqueci. Estaremos te esperando as 22:00 em ponto.
- 21:30, por favor.
- Ok! Como quiser! Até mais, Brian!
- Até, George!


To be continued...


Obs.: Todos os textos desta fanfic é de minha autoria. Baseados em fatos reais.

A volta da fan fiction.

Há muitas coisas que começo a fazer aqui no blog e não termino. Uma delas é a Fanfic dos Beatles que parei de escrever à dois anos devido à falta de tempo. Retomarei a escrevê-la, postar novamente os dois primeiros capítulos escritos e, ao longo do tempo, escrever mais e mais.

Deliciem-se, Beatlemaníacos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Refúgio.

Era outono de 73. Molly saia de seu prédio e, ao colocar o rosto pra fora do portão, o vento batia com força em seu rosto, emaranhando por entre seus cabelos. Suas mãos vestidas com um par de luvas, automaticamente se entregaram aos bolsos do sobretudo bêge que vestia. Eram 6:45 da manhã, Paris acordava com os comerciantes abrindo suas lojas numa manhã de sábado tranquila, os pássaros a cantar, as folhas das árvores a cair, enfeitando assim ruas e alamedas onde poucos carros passavam, quase nenhum ônibus. Molly saiu do prédio e foi até a garagem onde encontrava sua bicicleta. Andar pela cidade sem a mesma, para Molly, era preferível ficar em casa fazendo o que der em sua cabeça. Saiu da garagem com seu meio de transporte preferido e logo montou na bicicleta, colocando em seu cesto frontal as chaves de casa e uma pequena bolsa, mais parecida com uma carteira. Colocou seus fones de ouvido e saiu pedalando ao lado do passeio das ruas ao som dos seus tão amados Beatles. O objetivo de ter acordado tão cedo era simplesmente a fim de aproveitar tal manhã tão bonita, o sol esbranquiçado, o céu bem azul, porém o vento forte, temperatura baixa, folhas e mais folhas são vento. Molly adorava o frio, seja outono ou inverno, acompanhado com aquele solzinho ou aquela chuvinha, melhor ainda! Pedalou até encontrar um café de esquina, o tão famoso Café de Boulangerie tinha aberto a poucos minutos e possuia algumas pessoas. Molly se sentou, pediu um croque monsieur com um café expresso e pegou o jornal do dia, Le Monde, que ficava sobre a mesa para a próxima pessoa que se sentar ali ficar a parte das notícias mais importantes do dia em todo o mundo. Molly leu, se deliciou com seu café da manhã, comprou uma maçã verde e saiu. Pegou sua bicicleta e foi em direção à Torre Eiffel. Ao chegar naquela enorme praça, estacionou sua bicicleta no lugar devido, pegou suas coisas e sentou em um dos bancos, fechando seus olhos e sentindo aquela brisa tocar sua pele. A manhã continuava ainda mais linda de quando saiu de casa. Olhando ao redor, deu-lhe de cara com garoto que chamou sua atenção, o qual estava sentado em um daqueles bancos. Pelo motivo de ter chamado sua atenção ela não sabia ao certo, aparentava ser um garoto como qualquer outro, estava com dois livros em mãos, um aberto ao meio, lendo compenetrado. Estava agasalhado, vestindo uma boina e um par de luvas, o olhar parecia estar longe, porém ao mesmo tempo bem perto, cujo o mesmo não sabia explicar. Desmond era um cara que adorava literatura, música e arte. Morava ali perto e sempre que podia rodiava a cidade com sua leitura, adorava mesclar o cenário para suas imaginações, suas conclusões e análises literárias, porém algo naquela paisagem que ele escolhera lhe encomodava de um jeito bom e não o fazia se afastar. Algo que ele reconheceria em poucos segundos, ou até mesmo em poucos versos.

[...]
continua.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Nervos a flor da pele, arrepios, taquicardia.
O tempo passou. Para ela, além de um primeiro beijo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ultimamente as coisas vem sido tão difíceis! Lembro-me que quando eu comecei a escrever aqui, o meu primeiro post tinha eu dizendo que iria sempre vir desabafar meus problemas, angustias... Cá estou. Acho que nunca escrevi algo tão direcionado a mim dessa forma, talvez por medo de não lerem ou surgirem críticas, pois hoje estou fechada à elas.
Às vezes penso se o problema é comigo mesmo. Depois do fim de um relacionamento a fim de cessar os problemas, os mesmos duplicam. Já tentei conversar, resolver, acalmar, mas no fim é sempre a mesma coisa. Dói chegar perto, dói se afastar. O que fazer? Neste caso, não existe o meio termo, apenas os longos e dolorosos extremos. Talvez, o pior disso tudo, seria a proporção que cada extremo me é levado junto a seu âmbito.

Perdão. Essa palavra já não me convence mais.
Amor. Essa também não.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

(Sem título)

E agora o pseudo-poeta veio aclamar em seu coração.
Tarde demais ou não, ele veio.
Espaço vital.
Em suas palavras, espaços preenchidos.
Em seus versos, métricas medidas.
Estrofes maiores, menores.
Simbolismos, arcadismos.
Naturalismos, romantismos.

Era o fim contemporâneo, mas ele chegou.

Lembrança, desejo. Máquina do tempo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Amor Acaba.

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Paulo Mendes Campos.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Thanks, Sir Paulie Macca.

Bom, para tirar a poeira disso aqui, nada melhor para mim do que falar sobre o que mais me marcou no ano de 2010. Show do Paul McCartney, melhor dia da minha vida, até então. O fato é que não ficará apenas na lembrança do ano que está se passando, e sim ao longo de toda uma vida, que eu espero durar! :D

Eu e meu pai acordamos na manhã do dia 22/11/2010 às 7:00 para estar no aeroporto às 9:00 e pegar o voo às 10:50. Chegando em Confins, o aeroporto estava completamente lotado de executivos, trabalhadores e, claro, lotado também de Beatlemaniacos, aparentemente. Me senti em casa e aí começou a cair em mim que eu iria ao encontro de um Beatle.

Entramos no avião, depois de 30 minutos de espera, chegamos em Congonhas e aí que meu coração disparava mesmo. Meu Deus, estava indo ver Paul McCartney! Certo. Fomos para o Ibis que se encontra logo em frente ao aeroporto e, ao pisar no hotel, um bando de pessoas vinham em nossa direção perguntando se queríamos alugar van para ir e voltar do show do Paul. Todos lindos com a camisa, faixa, rosto pintado, prontos para a maior experiência de cada um ali. Eu e meu pai não aceitamos, até porque a van iria sair de lá às 16:00 e os portões abririam às 17:30 e eu gostaria MUITO de chegar cedo por causa da fila. Ok, subimos correndo, arrumamos as coisas, trocamos de roupa, descemos para almoçar e pegamos o taxi para ir pro Morumbi. Coração a mil, claro, o motorista do taxi metendo o pau na galera que ia pro show, dizendo que é perda de dinheiro e de tempo, eu quase enforcando o cara e meu pai quase perdendo a cabeça também, porém chegamos ao nosso destino e ali estávamos, eu, meu pai e uma beatlemania que eu só assistia nos dvds, shows e documentários dos Beatles. Fomos correndo retirar os ingressos e o cara da bilheteria rindo de mim por já estar chorando. Ao pegar o ingresso com minhas próprias mãos, foi quase um desabafo mesmo, chorei, gritei, era a melhor sensação possível até então, (até então!). Fomos para a fila e encontramos/conhecemos um cara super gente boa que estava já junto à mim e meu pai, o Lucas. O foda é que ele se perdeu no meio do show e não tivemos notícias dele mais, mas isso depois eu conto. Eu, meu pai e o Lucas na fila, já com o coração na mão. Ficamos assim até umas 16:00, quando o céu desabou a chover em nossas cabeças. Tudo bem, tudo bem, estamos indo ver o Paul. A Mada, uma amiga minha que conheci pela internet, me encontrou lá e veio para a fila com a gente. Chovia muito, muito, muito e todos nós na fila com aquela capinha horrível de chuva, alguns morrendo de fome também. Ok, deu 17:30 e nada de portão abrir. 18:00, nada de entrar no Morumbi. 18:30, galera correndo desesperadamente para entrar. No meio disso tudo, conseguimos passar em torno de 200 pessoas na fila e chegamos, enfim, na roleta para entrar. UM PÔSTER GIGANTE DO PAUL LOGO DE ENTRADA e eu chorando ever junto com a Mada. Tiramos fotos, rimos, encontramos com uma galera legal e logo saimos correndo para a entrada do Morumbi. Ao me deparar com aquela coisa gigante que é o estádio e todas aquelas pessoas lindas, muitas ali por obrigação, outras por prazer e por realizar o maior sonho, como era o meu, me fez emocionar muito. Por fim ficamos no meio da pista, mais ou menos um pouquinho pra frente, eram em torno de 40 metros do palco. Esperamos ali dentro de 18:30 à 21:30 (tudo ótimo para nós que estavamos já dentro do estágio, nos lugares postos), quando começou a passar a abertura com vídeos lindos e coloridos, junto aos Twin Freaks que me emocionaram. Até então o Lucas, o garoto que estava conosco, tinha se perdido ao tentar ir ao banheiro. O Paul demorou para entrar no palco, mas e daí? ainda teremos três horas de show, três horas emocionantes, três horas que irão para nossa vida toda! Enfim, a espera tinha acabado e vimos que o sonho estava apenas começando. O palco todo azul e o Paul chegando ali com o Hofner levantado e todo mundo delirando. Magical Mystery Tour! Roooooll uuuuup! ♪ Ele, o Mestre nos convidando para uma viagem mágica e misteriosa. Poderia começar ainda melhor? Não mesmo. Gritamos, desmaiamos, choramos, foi a maior expeciência de todas as vidas ali presentes. Acho que só quem presenciou aquilo, apenas quem estava ali vivendo tudo aquilo, sabe bem a sensação e como é fazer parte da verdadeira beatlemanía, não é, Buzele? (:

Hoje agradeço muito ao meu beatlemaniaco preferido, meu pai, que me deu o melhor presente que já poderia ter pensado em me dar, e claro, ao Sir Paulie Macca. Tudo bem in the rain, certo? :D


"And in the end, the love you take is equal to the love you make." ♪

Obs.: Foto de minha autoria.